| GARRAS QUE ME PRENDEM |
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| Por Edil | |
| 23 de March de 2009 | |
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Hoje me sinto alcançado pelas garras do comum Sou tolo, frágil, previsível. Eu que sonhei voar, viajar e não voltar; Eu que me vi alpinista na montanha vida; Caminhante, andarilho, peregrino do amor.
Eu que me vi passarinho, Indo em direção as pedras atiradas em mim; Fazendo delas, meu ninho, meu brinquedo, meu túmulo; Fonte do meu prazer.
Eu que me vi namorado sem dona; Amando bocas, corpos, coxas, loucas; Eu que me vi seduzido pela gazela; Qualquer fera, feia ou bela, Márcia Valéria.
Eu que me vi cedo nos braços da morte; Sendo de prova curta vencedor; Lembrado em fotos, fatos, farrapos de alguém. Doente de boas lembranças.
Eu que me vi pés descalços no vidro; Sentindo o corte, o sangue a sorte; Me encontro pensando numa mulher.
Encanto-me com sua presença; Distraio-me na sua ausência; Sentindo saudades de seus pés frios; Aquecidos no encontro com os meus.
Me encontro fazendo e mantendo versos; Ao inverso do meu universo pirraça; Não quero rasgar o mapa, derrubar os castelos; Quero construir nossa morada.
Reconheço-me um tremendo babaca; Armando minha barraca; Deixando a comida queimar; Enquanto faço versos para minha rainha.
Virei otário; virei escravo; E na minha previsibilidade; Estou preso nas teias do amor.
Amor de versinhos, colinhos carinhos; Amor de florzinha, bombom, balinha; Amor de benzinho, docinho, lacinho; Amor de presente, passado, futuro;
Amor que palpita, excita, gorjeia; Amor que apalpa, aquece, incendeia; Amor que visita e fica e deita. Amor que acoita, embala e beija. Amor que faz filhos. Filhas. Esther, Aline, Talita, Rebeca, sapeca....
Sinto-me louco de alegria e raiva; As vezes vejo janela aberta; Volto aos sonhos passados Tenho náuseas, me odeio.
Quero voltar pro ninho; encontrar-te carinho; Permanecendo preso às garras que fazem-me ser livre.
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