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MEU DESASTRE PDF Imprimir E-mail
Por Edil   
24 de March de 2009

Era sempre uma gostosa brisa com gosto de manha, embalada com carinho.

Cada momento era uma caixinha mágica; se chorávamos ou se sorriamos.

Não importava; pois já havíamos alcançado o prazer maior; o encontro à presença a união. Doce celebração da vida, da lida, das subidas e descidas. Segredos de coração.

Bater a porta era só formalidade; pois já havíamos aberto o coração;

 

Almas gêmeas; perfeita harmonia na diferença sempre celebrada como soma.

Sonho bom com gosto de café quentinho, pão fresco, bala de coco, canção.

Amor de alma, sem medo, sem risco, sem trauma; absoluta segurança no outro ser.

 

Os tempos mudam, a tempestade chega, o furacão, não imaginado, visita nossa mansão.

Mansão de palha, casa sem sala, sem brilhos, sem fadas, mas rica em emoção de irmão.

Amor aguado, azedado; onde as ondas não ferem o corpo, mas a alma o coração.

Afogo-me e contemplo inerte meu afogamento, minha sentença, a morte de minha ilusão.

 

A tormenta chegou e trouxe-me o fim da brisa; o fim do sonho, fim sem manhã.

Eu aceitava a água, beberia na taça, no peito na raça, vendo o gotejar do prazer mútuo;

Traindo-me para ver-te feliz; loucuras de quem pensa que pode amar acima do amor que se deve.

 

Hoje vago no rescaldo; vejo-me andarilho sem rumo, procurando meus restos mortais;

Não pretendo ressurreição, prefiro a morte, pois o sabor dela é melhor do que traição viva; embalada em minha cama, minha grama, minha criança, minha poesia, meus segredos, minhas fantasias, minhas canções.

 

Hoje estou sobremorrendo, assustado com os fantasmas que teimam em me perseguir;

Sigo, olhando a estrela, procurando o sentido no início, na doce lembrança, na canção da floresta, no encontro, na festa, na calça azul, no cheiro de peixe, na aliança que há em mim.

 

Os dados vão continuar rolando, os sinos tocando, os fantasmas uivando;

Mas eu estou enterrando o mais lindo do meu passado e buscando sentido para antes da vida continuar vivendo.

 

 

 
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